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29.1.12

Lingua ke nbarka pé!

O léxico do Crioulo de Cabo Verde é quase todo ele etimologicamente português (os olhómetros têm calculado: 99%). Mas depois esse léxico evolui semanticamente (contração de significado original i/ou ganha novos sentidos no uso nacional).
Em Crioulo, “kakerada”, escrito segundo as princípios e regras do Alfabeto Cabo-verdiano, é usado com um significado “pancada com os nós dos dedos no cocuruto (alto da cabeça) ”.

- N ta da-bu dos kakerada bu ta toma juis, dum sintada!

Portanto, quando estamos a escrever em português, segundo este exemplo “Tomei algumas caqueiradas na minha infância, principalmente na escola.” É inteligível para um alfabetizado Cabo-verdiano (porque bilingue), duvido que seja interpretável, na mesma proporção, por um leitor português ou brasileiro.

 Infopédia
Na kriolo
Caqueirada, nome feminino
Kakerada . nome.
1.
montão de cacos ou caqueiros
Kes kaku de vrido (o de kuza ki kebra).
? Djunta-m kes kakerada li bu bai bota na lixo.
2.
porção de trastes velhos
Pa kel li du ten fininge, ropa bedjo
3.
tiroteio carnavalesco com cacos
Pa kel li nu ka ten spreson
4.
coloquial pancada violenta; bordoada
Pankada ku dos dedo riba-l kukuruta kabesa (só es sentido); totisada é pankada ku mon aberto na totis;
Bordoada: N ta da-bu dos bordoada (=dos xikotada ke pode ser ku bara marmelero o ku lato. (lato =sinto de poi na kalsa)
5.
coloquial soco; bofetada
Ka ta uzado kakerada ku kel sentido.
bafatada é pankada ku palma mon na rosto;
soko é pankada ku mon fitxado (na kriolo punho é kel parte de braço (port. antebraço) perto de mon. El teneba rulojo na purso.
(de caqueiro + - ada)
Kakero é kenha ki  gosta de ta bota se kaku (de grogu fede)


Palavra “kakero”  se traduzida à letra para a Língua portuguesa “caqueiro” não terá sentido.
Es ome é kakero. * Este homem é caqueiro.
O Dicionário da Academia de Lisboa (2000) diz o seguinte:
caqueirada… quantidade ou caqueiros.
caqueirada1. Brincadeira carnavalesca em que se atiravam cacos ou caqueiros às pessoas que passavam. 2. Gír. Pancada, bordoada. 3. Bras. Gír. Bofetada.
caqueiro1. Vaso de barro velho, rachado ou inútil. 2. Chapéu velho e amachucado. 3. Coisa velha estragada, sem préstimo.

Nos kriolo é ka purtuges: "braso" na kriolo é ka mesmo kuza ke "braço" em português. As partes do corpo humano em português não tem as mesmas designações na Lingua Crioula.
A Língua Portuguesa é nossa Língua Oficial, mas daí fazer regressar os arcaísmos à língua portuguesa sob o pretexto de estar a falar/escrever o português cabo-verdiano…

Será que podemos falar de um Português Caboverdiano?

Lingua ke ta djuda-nu djanta

Porque somos parte de uma CPLP, divulgamos:

"Dado que o Brasil está a atrair atenção global, será bom para as empresas portuguesas associarem-se com as brasileiras em iniciativas específicas e serem um parceiro nesta jornada global. Por exemplo, usando a língua portuguesa como um elemento de trabalho em conjunto", explica o professor indiano.
Moral da história: A língua tem valor de mercado internacional e pode servir de alavanca em alianças com o Brasil com vista à globalização de marcas e empresas portuguesas. O português é uma das línguas globais e o facto de o Brasil ser hoje uma das potências emergentes dos BRIC (acrónimo para Brasil, Rússia, Índia e China) pode ser útil à estratégia de projeção global dos empresários portugueses.

28.1.12

Morré

- É triste morré nobo...

- Bedjisa go, é txabe mofineza.

27.1.12

Pa paga Dibra

CVT: poi kaxa de koreio, é de grasa...

Sima mi ke ka ten kaxa de koreio CVT ativado, pamode N ka kre... CVT ta kobra-m 20 LATA pa kada kada ligason ke N faze pa nhos. Nhos atendem pa N pode paga menos de MEIA LATA...

24.1.12

Par o None?

- Es kuza, é par o none?

Par ou iNpar (=Par ou impar)

Kondon. n. un só (ekistione). Era nha kondon de fidjo.

VEIGA (2011: 212)


ST
SV/OV
Obs Port
kondon
barinha kondon
jete kondon
varinha májika
sub condão, jeito, habilidade
exp varinha mágica




23.1.12

Na kriolo

- Napundé?

- Ala-bu ku el na mama kadera.

Petul pé;
karkanhada (kalkanhada);
kosta mon;
Kantul perna;
Ratxal dedo;
regul kadera;

22.1.12

SidadI Bedja: Festa NhU SantU NomI

Um dos mitos:

PRELÚDIO

"Quando o descobridor chegou à primeira ilha
nem homens nus
nem mulheres nuas
espreitando
inocentes e medrosos
detrás da vegetação.
(...)"
Jorge Barbosa (1902-1971); Cabo Verde.

I
Por isso, não neguemos o óbvio: somos híbridos, filhos de uma enxertia nominada neste cabo de verde feito mulato. Em nós tudo está de corpo e alma...
II
Como é bom lembrarmos, Cidade Velha é Património desde 2009 (...), momentos
RNCV, 26 de Junho de 2009 _ parte de e ntrevista feita ao Senhor primeiro-ministro de cabo verde
… Carlos Santos_ era só para dizer-lhe que neste momento devíamos pesar também na língua cabo-verdiana_ porque a língua cabo-verdiana nasceu na cidade velha_ _ e é um dos grandes patrimónios imateriais desta ilha; somos dos poucos povos do mundo que criou a sua própria linga_ _ E devíamos considerar e estribarmos nesta grande vitória _ pensar na língua cabo-verdiana em todas as suas variantes que é uma grande riqueza de cabo verde_ _ e fazer tudo para enriquecermos e valorizarmos este nosso património imaterial que é este_ a grande obra dos cabo-verdianos_ construíram que é a sua língua_ _
Isto quer dizer_ então_ que o senhor primeiro-ministro está confiante de que a oficialização do crioulo vai ser agora neste processo da revisão constituição da república?
 Ah_ah_ _ espero que sim_ _ espero que façamos um debate aberto sobre toda a problemática da língua_ porque é fundamental para todos nós_ os cabo-verdianos_ para que possamos mostrar ao mundo a importância que é a língua cabo-verdiana_ _ criada pelos cabo-verdianos e construir o nosso grande património imaterial_ mas sobretudo uma língua de um pequeno o país como cabo verde_ que tem todas essas variantes_ que são lindíssimas e que podem enriquecer_ pela sua diversidade_ esse património imaterial cabo-verdiano_ _
Muito bem_ muito obrigado_ então_ senhor primeiro-ministro José Maria Neves_ em directo na rádio de Cabo Verde_ _ (29 de junho de 2009).